Abaixo a Matemática do Papagaio
Por Maria de La Luz Mariz
Revista Nova Escola – Jul/2000

Por Maria de La Luz Mariz
Revista Nova Escola –  Jul/2000
 
“Comecei a lecionar há 35 anos pelo modo tradicional: anestesiava o paciente, empurrava formulas e conceitos goela abaixo e depois testava para ver se estava tudo bem digerido!” Com essa frase, o matemático e educador Thomas O´Bríen quebra logo de início as expectativas de quem imagina encontrar nele um sisudo estudioso da Aritmética. Aos 61 anos de idade, construtivista ferrenho, ele lança mão do bom humor para pregar contra os métodos de ensinos antigos “e ultrapassados”. Tanto que criou um apelido para as velhas fórmulas de sala de aula: “É a matemática do papagaio”.
 
Diretor do Centro de Formação de Professores da Universidade do Sul de Illinois, Edwardsville, O´Brien estuda há mais de trinta anos a construção do pensamento matemático na criança – vinte deles como pesquisador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Tem diversos livros publicados em língua inglesa e contribui para a elaboração dos currículos nacionais da disciplina nos Estados Unidos. Sua conversão ao construtivismo aconteceu em casa, graças a seus três filhos. “Observando o desenvolvimento cognitivo deles, eu vi como constroem uma visão de mundo significativa, inteligível e previsível a partir de sua própria experiência, acumulada desde o nascimento”, explica.
 
Essas conclusões coincidem com as idéias do psicólogo e filósofo suíço Jean Piaget (1896-1980), que O´Brien passou a usar como guia nas ações pedagógicas. Nesta entrevista, concedida durante visita a São Paulo, ele fala de suas teorias sobre o ensino da matemática, critica a memorização e destaca os fundamentos para lecionar com qualidade.
 
O que eu chamo de matemática do papagaio é fazer o aluno decorar conteúdos para apresentá-los toda vez que o professor desejar.