Uma Visão Holística da Educação Escolar
A Formação do Homem Integral

 
As constatações registradas na primeira parte evidenciam que a ciência caminha para ampliar o encontro com o espírito, recuperando, assim, os valores e o saber conservados pela tradição de diferentes povos, agora trabalhados pela modernidade.
 
Os frutos da pesquisa nas ciências exatas não só se fundem aos achados das ciências humanas, numa busca interdisciplinar, mas também tendem a se enriquecer com a tradição filosófica e religiosa, assim como a incorporar uma ética compatível com tais associações.
Uma visão do mundo marcada pelas idéias de globalidade, totalidade, vitalidade e evolução substitui a microvisão ou a visão compartimentalizada do homem ou do planeta no espaço cósmico.
 
Já não é pequeno o número de pessoas em todos os países que encaram a terra como ser pulsante, constituída ou portadora de diferentes níveis de energia, em que a vida orgânica é coroada pela vida pensante e a consciência individual, pela consciência planetária.
Educar o homem para esse contexto exigirá de nós, educadores, a compreensão, tento quanto possível, clara dos objetivos que pretendemos alcançar e do que muda num novo tipo de abordagem, que aqui também chamamos de abordagem holística da educação.
 
 
EDUCAÇÃO PARA A TOTALIDADE
 
Como professores, reconhecemo-nos integrantes da camada pensante mais esclarecida do planeta. Essa camada vem atingindo um nível de consciência nunca antes alcançado. É apenas o começo de uma ascensão, mas já tão significativa que não há como ignorá-la. Trata-se da consciência de ser que somos,  e de que viremos a ser.
 
Compete-nos a tarefa, agora, de passar a outras gerações a ciência e também de despertar-lhes a consciência; de formá-las para o exercício profissional e da cidadania nacional, mundial e do universo; de elevá-las a conhecer a matéria em torno, mas também a reconhecer o espírito dentro de si mesmo; não apenas a usar o pensamento analítico, indutivo ou dedutivo, mas a estabelecer trocas cognitivas, mas criar e fortalecer laços de afeição, amor e companheirismo. Enfim, somos chamados a preocupar-nos seriamente com dimensões da personalidade, até aqui muito descuradas, apesar de proclamadas – a dimensão afetiva e a social, e outras nem, sequer admitidas como de responsabilidade também da escola, como a espiritual ou a transcendente.
 
Estará o professor, neste processo, interessado na auto-realização e nas felicidade do educando, tanto no domínio de conceitos quanto das técnicas de cada profissão. Pela primeira vez, a escola assumirá a sua tarefa de educar integralmente, de preparar o homem para ser feliz e contribuir para a felicidade dos demais.
 
Contudo, o sentido da totalidade na educação holística não se reduz ao cuidado com a dimensão transcendente ou espiritual. Estaremos educando para a totalidade quando abrirmos os olhos dos nossos alunos para questões ambientais, fazendo-os refletir sobre os fenômenos da interdependência das espécies animais entre si e destas com as espécies vegetais; da preservação do solo e do subsolo, das águas e do ar; da indissociabiabilidade dos conceitos da sociedade e meio ambiente; da necessidade dos estudo de impacto ambiental nos projetos de desenvolvimento econômico; na projeção dos efeitos da atividade humana para o planeta como um todo, para esta e para as gerações vindouras; na valorização da paisagem natural e sua recuperação, sempre que possível.
 
Educar para a totalidade é levar nosso aluno à leitura do mundo em que vivemos, sem fantasias e sem a perspectiva catastrófica. Assim é que em todo o mundo, o jovem deve entender os conflitos entre os países ricos (geralmente do hemisfério norte) e os países pobres. Os primeiros, vivendo o medo da perda do padrão de vida que desfrutam; os segundos, assolados pela fome e pela escravização a compromissos financeiros insolváveis. Deve entender ainda a impossibilidade de vir o mundo todo a gozar , um dia, dos mesmos privilégios que o norte desfruta, ao tempo em que, também, será impossível a este manter o mesmo nível de desperdício a que atualmente se entrega.
 
             A idéia de totalidade e globalidade faz-se urgente na educação do povo brasileiro para solução da guerra social que hora enfrentamos: seqüestros, arrastões, chacinas, rebeliões, esquadrões da morte, prostituição infantil, tráficos, assaltos; já não podem ser ignorados ou tratados pela força, simplesmente, e sim pela mobilização da sociedade com um todo, empolgada pela consciência de solidariedade.